segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Zero waste: porquê decompor?

No início do verão passado finalmente decidi começar a fazer compostagem em casa.
Já tinha tido uma experiência com um vermicompostor feito por mim que não é nada mais, nada menos que um compostor com minhocas que aceleram o processo. Como resultou bem quis voltar a fazer cá em casa.

Passo 1: Construir ou comprar um compostor.

Eu optei por comprar. Ainda pensei em construir eu própria um como este, mas como teria de comprar na mesma os baldes, acrescido ao trabalho de os furar... Optei, assim, por comprar um bem grande que me custou 31€. Foi um bom investimento, é singelo e passa despercebido lá na zona do jardim.

O meu compostor é dos mais simples que há no mercado. É apenas um recipiente amplo com uma porta em baixo. Sempre que encontro minhocas no meu jardim, levo-as para o compostor, porque além de acelerar a decomposição dos resíduos orgânicos, estou a levá-las para um sítio onde têm disponível, abrigo, alimento e água, ou seja, tudo o que precisam para sobreviver, tornando ainda o meu solo mais fértil. Contudo, o uso das minhocas é opcional.

Passo 2: Escolher o local para o compostor.

Preferencialmente, o compostor deve estar num sítio algo resguardado de vento, frio e chuva. Pode apanhar chuva e sol, mas devemos evitar que seja em excesso, porque a água em excesso pode prejudicar a decompostagem e sol em demasia exige que estejamos mais atentos e que acrescentemos água com regularidade.

O meu está parcialmente abrigado por um telheiro e debaixo de uma árvore, que sendo de folha caduca, deixa passar o sol de inverno e o cobre do sol no verão. 

Há compostores com fundo e com gaveta para a recolha de líquido que diluído com água dá para usar como fertilizando 100% natural, mas o meu que não tem, deve ser colocado sobre o solo, de modo a esses líquidos sejam absorvidos naturalmente pelo solo.

Passo 3: Começar a decompor.

Antes de comecar a colocar materiais, aconselho a colocar alguns galhos ou ramos de árvores no fundo para que o composto inicial possa "respirar" e de forma a que o composto colocado por cima não fique a bloquear a gaveta de saída.

Depois é só intercalar produtos verdes com castanhos em igual proporção. 
Material verde = azoto 
Material castanho = carbono.

Produtos compostáveis: folhas secas, plantas ou restos de plantas (relva, ervas daninhas, ...), papel (jornais e guardanapos de papel), sacos de chá, borras de café, cascas de ovo esmagadas, cascas de frutos e legumes.

O que não colocar: carne/ peixe, restos de comida cozinhada (pode atrair animais indesejados), laticínios, gorduras, doces, trigo e dejetos de animais domésticos.

Algumas dicas:
- Cuidado com o excesso de citrinos;
- Não introduzir camadas grandes de uma só vez;
- Aguardar no mínimo 3 meses até obter o primeiro composto;

O meu maior problema for ser impaciente. Coloquei camadas grandes de materiais verdes e castanhos e não o fiz progressivamente. Como tal, tem sido habitual retirar composto com folhas ainda por decompor. 

Quando encontro folhas por decompor na gaveta do composto, volto a colocar por cima... 



Passo 4: Revolver o composto.

Tenho sido pouco ativa nesta parte, mas convém arejar a mistura de vez em quando para dar espaço aos microorganismos que para sobreviveram necessitam de abrigo, alimento, água e ar!

Um ancinho pequeno de jardim tem sido o meu instrumento preferido para esta tarefa.  


Passo 5: Usar o composto

Podes usá-lo no jardim, nas tuas plantas de casa ou simplesmente ficar feliz porque devolveste os restos vegetais ao normal ciclo da vida em vez de serem incenerados e passarem o resto da vida em aterros.

Se estás a pensar "Mas eu não tenho jardim, nem plantas em casa!" Então, podes oferecer a quem tenha ou simplesmente podes devolver o composto à terra num jardim público ou no parque da cidade ou então na floresta.

Àparte do sentimento de felicidade por tê-lo feito, considera a enorme hipótese de veres reduzido a menos de um quarto a quantidade de lixo que colocas no lixo comum diariamente. Aconteceu-me a mim! 

Não se esqueçam que qualquer um de nós pode fazer compostagem, mesmo que não tenham jardim e que vivam em apartamentos. O compostor não liberta maus cheiros nem atraí bicharada, pelo que pode ser feita em casa ou numa varanda por exemplo.

Se preferirem podem apenas recolher os restos dos vegetais e frutas da vossa alimentação e doá-los a quem faça compostagem. Se pesquisem na vossa área de residência, podem encontrar locais que recebam estes resíduos para futura compostagem.

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