domingo, 16 de outubro de 2016

Zero Waste

Dois mil e dezasseis foi o ano em que ouvi pela primeira vez o conceito de Zero Waste ou Desperdício Zero.

Foi uma feliz coincidência ter-me cruzado com uma notícia qualquer de uma família que não produzia lixo quase absolutamente nenhum ao longo de vários anos. O pouco lixo que produziram nos últimos anos cabiam num pequeno pote de vidro.

Acho que nesse domingo de dolce far niente, foi o domingo que revolucionou a minha vida e mudou muita coisa na minha casa. Não que já não fizesse muitas coisas, mas daí comecei a fazê-las com mais consciência e de uma forma mais sistemática.

Daí em diante, a parte do meu dia dedicada ao lazer/descanso foi a ler, a ouvir testemunhos, a cuscar blogs e a ver documentários e Ted talks sobre Zero waste ou Zero desperdício.

Foquei-me em vários aspetos que facilmente poderia alterar no meu quotidiano:

1º) Reduzir o plástico

Este é e será sempre o calcanhar de aquiles de qualquer família. Pelo menos cá por casa tem sido! Se por um lado é este o aspeto que mais alteração de comportamentos proporciona, será também sempre aquele aspecto onde mais pecados faremos. Tantos são os produtos que compramos que vêm sobre embalados que de um dia para o outro deixar de usar tudo o que usamos durante uma vida parece  ser praticamente impossível... Mas um dia isto, outro dia aquilo, a quantidade vai sendo inferior e grão a grão vamos caminhando na direção certa.
Lamentalmente tenho perfeita noção que abolir está fora do meu alcance nos próximos anos, pelo que me esforço por reduzir de forma consistente.

Para reduzir o plástico, há várias estratégias que uso:


a) Usar sacos e frascos reutilizáveis
No mercado e na padaria os sacos reutilizáveis, nomeadamente os de pano, os meus preferidos, estão sempre a uso. Tenho-os no carro e na carteira, por isso vão comigo para todo o lado. O pão vem para casa no saco de pano onde fica guardado até ser consumido. A fruta, sempre que possível vem nos sacos de pano. São pesados na balança e colocados novamente no mesmo saco onde é transportado até casa.

O inconveniente? A cara de caso da funcionária quando tenho 10 maçãs espalhadas juntamente com 6 bananas, 7 pêras e 4 abacates. Mas pior que a cara de caso da funcionária da caixa ou das pessoas que estão à espera, é mesmo a cara do meu marido! LOL
Para o meu marido, resultou muito bem uma estratégia que ando a testar há 2 ou 3 meses e que tem sido eficaz para ele: reutilizar os sacos de plástico da fruta. Dentro do saco de pano, levo sempre 5 ou 6 sacos transparentes bem dobrados. Em casa quando guardamos a fruta e legumes, voltam para o mesmo saco, sendo apenas substituídos quando se rasgam.
Para armazenamento dos produtos que compro avulso (mais à frente falo sobre isso) comprei estes frascos do Ikea. Há de todos os tamanhos. Os maiores uso para os cereais (aveia, trigo serraceno, centeio, millet, etc, e todos os cereais puff que são muito volumosos). Os médios para as sementes (chia, linhaça, sésamo, sementes de girassol, etc) e fruta desidratada (essencialmente tamaras, ameixas, alperces e passas). Os mais pequenos levo-os na lancheira, com os iogurtes, papas de aveia, fruta cozida, etc.



b) Usar uma garrafa reutilizável
Quantas vezes acabamos por ir ao bar comprar uma garrafinha de água porque nos deu sede? Se temos uma garrafinha sempre connosco para as crianças, que têm sede a toda a hora (pelo menos a minha é assim), porque não termos  também uma para nós? Se não quisermos investir numa, basta um frasco com tampa e voilá, já a podemos encher em toda a parte com água ou iclusivamente sumos.
A minha vai muitas vezes com água com limão. Estes dias tem-me sabido muito bem assim.

c) Comprar avulso
 Se compro pão, fruta e legumes sem recurso a embalagens, porque não tentar fazer o mesmo com o resto das coisas que necessitamos? Cada vez há mais lojas que vendem a granel e os mercados tradicionais sempre o fizeram. As leguminosas mais tradicionais como o feijão e o grão são os mais fáceis de encontrar a vulso, mas há lojas que vendem mercearias como arroz, massas, sementes, frutos secos e doces a vulso. O jumbo, tem um espaço muito interessante e que vende ao peso. Por lá encontrei coisas tão variadas como rebuçados, gomas, sementes, fruta desidratada, leguminosas, café e comida de cão, etc. Não é perfeito, porque não encontrei forma de trazer os produtos a não ser em sacos de plástico. Se ao menos houvesse sacos de papel ainda davam para decompor... :(
No entanto, há cada vez mais mercado onde podemos levar os nossos próprios frascos ou sacos de pano para trazer os alimentos para casa.
Para quem é do centro, tem a Maria Granel e a Casa a Granel. Mais a norte, a Sementina e a Raw, por exemplo.
Imagem daqui
d) Comprar em segunda mão ou trocar
Se há uns anos quando precisava de algo, ia à loja e já estava, hoje a minha estratégia é sempre procurar online uma compra local em segunda mão do produto que preciso, usando o olx, por exemplo. Ou então os sites de trocas. Tenho feito trocas bem interessantes livrando-me de objectos que já não quero ou já não preciso, em troca de algo que me faça falta ou que possa efetivamente dar uso.
A última troca que fiz no site "Troca-se.pt" foi de uma máquina de costura que esteve anos em minha casa a apanhar pó por falta de uso por um conjunto de ferramentas para o jardim que estava a precisar, nomeadamente um alicate de poda que ainda não teve descanso neste início de outono :) Para isso tive apenas de me deslocar um kms e duas famílias ficaram com coisas "novas" que poderão usufruir sem gastar dinheiro nenhum.

e) Cultivar/plantar em casa
Com a exceção dos azevinhos, o meu jardim tem essencialmente árvores de fruto. É com grande prazer que comemos as frutas da época e que tão bem nos sabem em comparação com o sabor das de compra. Este ano voltei a plantar morangos e os poucos que conseguimos comer sabem melhor que quaisquer outros. Para este outono, tenho em mente, colocar pelo menos mais uma árvore de fruto e esperar que as mais bebézinhas comecem a dar frutos. É ótimo ver crescer algo que fomos nós que plantamos.
Sempre que posso, levo legumes fresquinhos do plantio dos familiares ou amigos e quando tenho oportunidade compro localmente, o que nos leva ao ponto seguinte.
Os meus morangos!

 f) Comprar localmente
No meu trabalho há uma pequena empresa de produtos biológicos que vende cabazes de fruta e legumes da época. Como são biológicos e são criados em estufas vão estando disponíveis com alguma variedade e com elevada qualidade. Sempre que disponíveis trago também dos meus avós e dos meus sogros e come-se o que é da época. Haja imaginação para andar por vezes semanas a comer os mesmos legumes, mas cozinhados de formas diferentes!



Este foi um dos sumos "verdes" de uma saga de um mês em que bebemos todos dia um copo carregadinho de oligonutrientes.


O talho cá da rua tem recebido mais visitas e a carne além de ser de melhor qualidade, é mais fresca porque sei quando a recebem! E vem cortada e preparada conforme o fim que lhe quero dar. Tenho conversado mais com as pessoas da rua e tenho mais consciência do que é viver em comunidade.
E os meus cães têm recebido ossos grandes para roer. Tem andado felizes com os presentes mais regulares e os seus dentes têm andado mais saudáveis :)
Estes dias descobri ainda que há um produtor de cogumelos biológicos que os vende cá mesmo na terrinha. Fantástico, não é?

g) Cozinhar mais e comprar menos mas de melhor qualidade
Uma remessa de iogurtes que sai da bimby ou uma fornada de bolachinhas caseiras enche a casa de coisas boas e sem conservantes articifiais e a quantidade de plástico que poupamos ao ambiente é inegável! Pena que fazer tudo em casa seja demasiadamente avassalador para a maioria das famílias. De qualquer forma reservar um dia por semana para preparar alguns dos lanches ou refeições principais tem sido uma coisa que me tem dado prazer fazer.
O meu ricota "fingido" - receita aqui
A minha irmã deu-me na semana passada uma receita de iogurtes com gelatina e é já a segunda semana em que não compramos iogurtes. Exceção feita para a pequena que prefere os normais.
Uma sopa de feijão verde caseiro dá para levar na marmita nos dias em que almoço fora e serve para complementar os almoços ou jantares da semana.
Hoje, excecionalmente, dediquei-me à confessão de manteiga e com excelente resultado, diga-se ;) Ficou ótima! Mas fazer pão, iogurtes, barritas de sementes, purés de fruta, bolachas, compotas, queijo, nectares, todas as semanas é algo que é impensável, pelo que comprar melhor é algo que tem de ser ponderado. Se por um lado o fator preço é importante, nos últimos meses tenho-me visto mais empanhada em comprar melhor, em comprar biológico, em comprar sem tantos conservantes, sem corantes e sem edulcorantes.

 Uma aposta nossa foi em ter sempre disponíveis frutos secos para os snacks (nunca mais de 6 por dia). Comprei 1kg de castanhas de caju por 15€. É caro? Muito! Mas prefiro comer algo com minerais e gorduras saudáveis do que comer aquelas bolachas de chocolate que adoro, mas que fazem mal!
 h) "Marmitar"
Este ano, dois dias por semana almoço no trabalho e confesso que são os dois dias em melhor me alimento. E porquê? Porque são programados com antecedência. Sopa + prato principal + fruta. Os pratos principais são sempre muito simples que podem variar entre as sobras do jantar de véspera ou simplesmente uma salada de vegetais com quinoa ou de couscous, por exemplo.
Outra coisa que teve grande impacto na minha alimentação foi o facto de ter comprado uma lancheira :) Gastei meia dúzia de euros nela e passei a alimentar-me bem melhor. Assim, em vez de ir ao bar comer um pãozinho com isto ou aquilo, como o meu iogurte natural com muesli ou granola ou com fruta já partidinha que trouxe de casa ou então os cereais puff e sementes com o puré de fruta caseiro. Estes têm sido os maus lanches habituais aos quais por vezes junto um chá quentinho do bar.


i) Abolir/reduzir os descartáveis

 Só em ocasiões muito especiais é que uso os descartáveis. Há uma exceção anual, o aniversário da miúda que por ser para muita gente e com entradas, comida volante e sobremesas muito variadas não dá mesmo para ser servido sentado. Para estas ocasiões tenho optado por uma solução tão gira quanto ecológica. Encontrei packs de pratos e talheres de madeira bem fininha, diz que são de bambu. São giros porque a cor da madeira natural vai bem com tudo!!! Com uns guardanapos giros e copos de papel coloridos fica o cenário completo. O melhor? Tanto os copos, como os talheres, como os guardanapos vão para o compostor e voltam ao solo de onde vieram e onde voltarão a dar vida às novas plantações que farei no meu jardim :D
A imagem não é das melhores, mas é de um dos aniversérios. Em cima à esquerda vêm-se os pratos e talheres que falo.

E tudo me leva à grande aquisição deste verão! O meu tão desejado compostor :)

Se o meu 1º grande objetivo é reduzir o plástico, o segundo é reduzir/eliminar os resíduos orgânicos de minha casa.

 2º) Decompor

Tentei por todas as vias comprar um compostor em segunda-mão. Era mesmo algo que qeuria fazer. Meti na cabeça que era o que fazia sentido nesta demanda do zero waste. Durante meses procurei, pesquisei, verifiquei como poderia comprar ou obter um, mas tive que desistir... essencialmente porque a deslocação para o ir buscar seria mais cara do que a própria compra de um novo.
Encontrei um à venda numa grande superfície por cerca de 30€. Veio comigo e até hoje dou-lhe mais uso que alguns eletrodomésticos cá de casa!

Ainda não tive tempo de o fotografar, mas a seu tempo poderei fazer um post sobre o que costumo decompor e como o faço e como tenho usado o composto.

1 comentário:

krasiva disse...

Também ando com este desafio...aos poucos vamos vivendo de forma mais sustentável. Obrigada por este post

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