quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dachau, Campo de Concentração

Preparados para a aula de História? Se não, vejam apenas as imagens que vale a pena :P

Dachau foi uma das visitas que fiz questão de fazer quando estive em Munique. Este foi o primeiro campo de concentração nazista, construído 6 meses depois de Hitler estar no poder e foi em tudo diferente de tantos outros que se seguiram.
Inicialmente  foi o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos, mas com o passar do tempo foi encarcerando além dos adversários políticos do regime nazista, os Testemunhas de Jeová, os ciganos, os homossexuais, aqueles considerados “anti-sociais” (leia-se doentes psiquiatricos), além dos criminosos (estes criminosos eram maioritariamente pessoas desempregadas que para sobreviverem pediam na rua) e claro, os judeus.
(Ao contrário do que eu pensava, estes últimos inicialmente eram muito poucos...)



 Este campo de concentração foi tão diferente dos outros porque foi tido como modelo dos que se criaram de seguida. Assim sendo lá existiu de tudo um pouco, desde trabalho esforçado, morte pelas câmaras de gás e cremação de corpos, experimentos médicos, centro de treinamento para os guardas de campos de concentração das SS e fabrico massivo de armas e produção de artigos bélicos para a segunda guerra mundial. 

A organização e rotina deste campo tornaram-se modelo para os demais. Tudo o que se fazia era retratado com fotos e filmes e muitos desses materiais estão ainda disponíveis no museu.
Documentos dos prisioneiros. Todos os títulos de propriedade eram desapropriados e os prisioneiros deixavam de ter quaisquer direitos, mesmo os mais básicos.
Os prisioneiros eram "catalogados" por números e com triângulos de cores diferentes conforme o tipo de prisioneiro que se tratasse. Lembro-me que os homossexuais eram os cor-de-rosa.
 
Tudo isto foi documentado e tomado como exemplo para os próximos campo de concentração que se "especializaram" em determinada função. Auschwitz, na Polónia, ficou conhecido por ser um campo de extermínio em massa, nas câmaras de gás.

Foram os prisioneiros que contruiram todas as instalações desde as barracas, à enfermaria (onde se faziam os experimentos médicos, porque para os tratar não seria com toda a certeza), o crematório, as câmaras de gás,  a cozinha, a lavanderia, os chuveiros, as oficinas e um bloco-prisão.
As barracas onde viviam os prisioneiros
 
A casa do crematório e da lavandaria
Os crematórios novos
As câmaras de gás. Na foto já não existem, mas naquela altura havia chuveiros falsos para que os prisioneiros não se recusassem a entrar.
Toda a área estava rodeada por uma cerca eletrificada de arame farpado, uma trincheira e um muro com sete torres de guarda.
Em Dachau, como em outros campos nazistas, os médicos alemães realizavam “experiências médicas” nos prisioneiros, tais como testes de alta altitude usando câmaras de descompressão, experimentos com malária e a tuberculose, hipotermia, e testes experimentais para novos remédios que servissem aos alemães. Os prisioneiros também eram forçados a serem cobaias em testes de métodos de dessalinização da água e de estancamento de perda de sangue excessivo. Centenas de prisioneiros morreram ou ficaram permanentemente incapacitados como resultado destas "experiências". No museu pode ver-se imagens dos prisioneiros a serem sujeitos a estes experimentos. 
Esta parte foi a que mais me custou ver de toda a visita e sinceramente não é para qualquer pessoa...
É dificil pisar o mesmo piso onde coisas tão horríveis aconteceram há tão pouco tempo atrás!
Sobre questões práticas sobre esta visita, para desanuviar...

Dachau fica a 15 km aproximadamente do centro de Munique e pode ser visitado de comboio, basta que se adquira o bilhete XXL que custa 12,80€ e dá para o máximo de 5 pessoas e dá ainda para o autocarro que nos deixa mesmo à portinha. (O bilhete individual fica bem mais caro).

Entrada para Dachau

À entrada podem optar por pedir os audio-guias, o que aconselho vivamente, pois fica barato (3€, salvo erro) e podem fazer a visita ao vosso ritmo, visitando tudo sem se esquecerem de nada. Além disso, podem ouvir relatos reais de sobreviventes que falam sobre as condições de vida na altura.
Não deixem de perguntar a que horas passa o filme no museu, que tem horas pré-definidas.
Para relaxar um pouco depois da visita, podem almoçar no restaurante que é muito agradável e com umas excelentes vistas.




2 comentários:

Dina disse...

Adorava fazer esta viagem! Eu sou uma apaixonada por História e quero muito ir à Polónia ;)

Vaquinhas disse...

Estive lá quando tinha 17 anos, quando fui a Munique numa visita de estudo. Ainda hoje tenho muito presente esssa memória e fico toda arrepiada quando ouço a palavra "Campo de Concentração". Vale muito a pena pela lição de vida que é... já passaram muitos anos...mas HOJE, há muitas outras situações no mundo impregnadas de hprror.

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